A
moreninha
Joaquim
de Manuel de Macedo
Considerado
o primeiro romance romântico brasileiro propriamente dito, A
Moreninha(1844),
obra-prima de Joaquim
Manuel de Macedo,
segue a tendência do romance-folhetim, alcançando grande
repercussão por apresentar os quesitos necessários para satisfazer
o gosto do leitor da época: o namoro difícil ou impossível, a
comicidade, a dúvida entre o desejo e o dever, a revelação
surpreendente de uma identidade, as brincadeiras de estudantes e uma
linguagem mais inclinada para o tom coloquial.
O romance é narrado em terceira pessoa, com narrador onisciente. O tempo transcorre na ordem cronológica, apenas uma volta ao passado, nos capítulos sete e oito, quando Augusto conta à D. Ana, avó de seu amigo Filipe, o episódio de seu juramento amoroso. A história se passa e dois lugares: na cidade do Rio de Janeiro, representando a vida urbana e social, e na ilha onde mora D. Ana, simbolizando o paraíso de amor. O estilo do texto é marcado pelo ritmo ágil, com a presença freqüente de diálogos entre os personagens, o que nos dá a impressão de que a história está acontecendo no ato da leitura.
O
enredo de “A Moreninha” inicia-se com a ida de um grupo de amigos
estudantes – Augusto, Fabrício e Leopoldo – à convite de
Filipe, à casa de sua avó – D. Ana – residente numa ilha
próxima ao Rio de Janeiro, onde passarão o dia de Sant’Ana e o
fim de semana. Filipe aposta que os amigos irão se interessar por
suas primas – Joaninha, Quinquina e suas amigas, Gabriela e
Clementina - ou por Carolina, sua irmã. Namorador inconstante,
Augusto é desafiado por Filipe e seus amigos que lhe propõem uma
aposta: caso ele se apaixone por uma das moças, escreverá a
história de sua derrota; se não se apaixonar, Filipe é quem deverá
escrever sobre a vitória triunfal de seu amigo inconstante.
Ao
chegar à ilha, Augusto conhece Carolina, por quem fica encantado,
enquanto Fabrício o provoca, afirmando ser ele incapaz de amar
seriamente. À noite, todos da casa resolvem caminhar pela ilha. Após
andar brevemente com Carolina, Augusto junta-se à D. Ana, que o leva
a uma gruta próxima, onde havia uma lendária fonte. Ele
confidencia-lhe que, há sete anos, quando adolescente conhecera uma
jovem na praia: os dois haviam ajudado um pobre velho que,
agradecido, profetizou o casamento dos dois no futuro. Num gesto
simbólico, o idoso casara-os, fazendo com que trocassem presentes:
ele deu-lha um camafeu e ela, uma esmeralda. Trocara juras de amor
eterno e de um casamento verdadeiro no futuro. Carolina, porém, a
tudo escutava escondida.
Em
troca da confidência, a avó de Filipe conta-lhe a história de uma
índia que se apaixonara por um índio guerreiro, mas não fora
correspondida. De tanto chorar, suas lágrimas deram origem àquela
fonte. Ao beber dela, o guerreiro se apaixona pela índia e os dois
viveram juntos para sempre.
No
dia da festa de Sant’Ana, Augusto, como namorador que é,
declara-se para as quatro moças da casa. Na manhã seguinte, recebe
um convite anônimo para um encontro na gruta. Lá ele encontra as
quatro moças, bebe da fonte, e passa adivinhar os segredos
delas, fazendo parecer que era o poder da fonte. No
entanto, ele não faz nada além de contar as peripécias que havia
bisbilhotado da conversa das moças. Neste contexto aparece Carolina,
que repete o mesmo gesto, passando a contar as verdades íntimas de
Augusto, que ela também havia escutado no passeio à noite, na
véspera do dia de Sant’Ana. Mas vai embora antes mesmo de Augusto
tivesse tempo de declarar que era ela a quem amava.
De
volta à cidade, não consegue esquecê-la. Passam a se encontrar
todos os domingos. Ele chega até a confessar seu amor, mas ela se
contém. Como vinha faltando às aulas da faculdade, o pai
proibiu-lhe de ir à ilha. No entanto, ele cai doente por vários
dias. O pai resolve então atender a vontade de Augusto e ambos
combinar de irem juntos, no domingo próximo, à casa de D. Ana.
O
amor impossível e a mulher idealizada são freqüentes na prosa
romântica.
Para resolver o impasse amoroso, costuma haver duas saídas: o final
feliz ou o trágico. Em “A Moreninha”, o impedimento é superado
quando, por coincidência, os personagens se conhecem, percebendo
serem elas as mesmas personagens de sete anos antes. O resultado é o
final feliz.
Assim,
o final do romance é considerado perfeitamente de acordo com o ideal
amoroso romântico e as normas sociais, em virtude de não ter havido
adultério ou traição em relação à “primeira esposa”. Resta
apenas a Augusto pagar a aposta: que, considerando-se paga, temos o
romance “A Moreninha”.
PERSONAGENS
Filipe:
estudante de medicina, amigo de Augusto. Faz o convite aos colegas
para passarem o feriado na casa de sua avó.
Leopoldo:
o mais animado dos amigos de Augusto, também estudante de medicina.
Fabrício:
é prático e um tanto mesquinho quando se trata de relacionamentos.
Pede ajuda a Augusto para livrar-se de Joaquina.
Augusto:
é volúvel e inconstante nos relacionamentos amorosos. Apaixona-se
facilmente, mas dura pouco, por isso afirma nunca ter amado. Apesar
da inconstância, é romântico. Pois não engana as moças, apenas é
volúvel.
Joana:
prima de Filipe. Tem dezessete anos, cabelos e olhos negros, é
pálida.
Joaquina:
prima de Filipe. Tem dezesseis anos, é loura de olhos azuis e tem
faces cor-de-rosa.
Ana:
avó de Filipe. Dona da casa na ilha, senhora amável de sessenta
anos que nutre um carinho especial pela neta (a Moreninha) que criou
após ter ficado órfã.
Moreninha:
irmã de Filipe. Menina de quatorze anos, travessa, engraçada e
impertinente.
D.
Violante: uma senhora amiga de D. Ana. Era inconveniente e
chateou Augusto com lamentações e assuntos de doenças.
Senhora
José
de Alencar
A
obra Senhora,
de José de Alencar é dividida em quatro partes. A primeira delas,
nomeada de “O preço do casamento”, começa descrevendo uma jovem
moça chamada Aurélia, rica e frequentadora de bailes da alta
sociedade. Aurélia, sendo órfã e recebedora de uma grande fortuna,
estava sempre acompanhada de sua parenta D. Firmina e acreditava que
todos só se interessavam por ela por causa de sua beleza e do seu
dinheiro. Em um baile de costume, Aurélia começou a se questionar
sobre sua educação e seu destino. Escreveu uma carta ao Sr. Lemos
dando-lhe a missão de arrumar seu casamento com o atual noivo de
Adelaide Amaral, o Fernando Seixas. Seixas era pertencente a uma
família de situação pouco favorável e pretendia arrumar um
casamento com uma moça rica para oferecer melhores condições para
sua mãe e suas irmãs, e também para seus luxos. Lemos faz a
proposta de casamento a Seixas, que mesmo sem conhecer a noiva,
recebe um adiantamento do alto dote e aceita o compromisso. Quando
foi apresentado à Aurélia, Seixas sente uma profunda humilhação,
pois em tempos passados tinha rompido um noivado com ela para ficar
noivo de Adelaide, que era mais rica. Na noite de núpcias, Aurélia
chama seu então marido de homem vendido.
Na
segunda parte, chamada “Quitação”, é contada a história de
Aurélia. D. Emília era sua mãe e Pedro Camargo, seu pai. Pedro era
filho bastardo de um rico fazendeiro e casou-se com Emília sem
conhecimento de seu pai. Anos depois, acaba morrendo e seu pai não
conhece sua neta. D. Emília fica em má situação para criar sua
filha. Nesse momento, Seixas se elege como pretendente de Aurélia e
assume o compromisso de se casar com ela. Porém, se arrepende por
ter se apaixonado por uma moça pobre e órfã e assume compromisso
com Adelaide, moça rica na sociedade. Perto de falecer, o avô de
Aurélia a procura e deixa para ela toda sua fortuna. Após a morte
de sua mãe, Aurélia tem como tutor Sr. Lemos, seu tio, e como
acompanhante, D. Firmina.
A
terceira parte tem como título “Posse” e descreve a rotina de
Aurélia e Fernando enquanto casal. Eles vivem uma vida de aparência;
desfilam de mãos dadas, trocam carinhos e gentilezas diante de
bailes ou de amigos. Mas quando estão sozinhos, trocam palavras
ferinas e acusações. Fernando se vê como um escravo de Aurélia,
tendo ela como sua dona e a obedece em todos os seus desejos.
Na
quarta e última parte, “Resgate”, temos os principais
acontecimentos da trama. Os desejos não realizados de Aurélia e
Fernando são passados pelo autor com muito erotismo. Porém, por
orgulho, Fernando e Aurélia não se deixam envolver. Podemos notar
nessa parte a visível transformação de Fernando que passa a
recusar o luxo que tanto já desejara. Fernando passa então a
trabalhar dedicadamente e faz um negócio importante, em que arrecada
um valor e devolve para Aurélia todo o dinheiro do dote. Ele então
pede o divórcio. Comprovada a mudança de Fernando, Aurélia lhe
mostra o seu testamento escrito no dia do casamento, onde é deixada
para Fernando toda sua fortuna e é declarado o seu amor por ele. O
casamento então se consuma e os dois se tornam um casal de amantes.
PERSONAGENS
Aurélia
Camargo:
Jovem rica de 18 anos órfã, chama atenção de todos pela sua
beleza e excentricidade. Muitos moços da sociedade a desejam como
esposa, porém, ela pede a seu tio que faça um acordo com Fernando
Seixas e casa-se com ele. Aurélia demonstra inteligência e
planejamento de suas ações, para que tudo saia conforme seus
planos.
Fernando
Seixas: Jovem de 18 anos que, apesar de sua família viver de
maneira muito simples, tinha uma pose e um lugar de respeito na
sociedade. Interesseiro, procura casamento com uma moça rica para
melhorar sua situação financeira. É servidor público. Só após o
casamento com Aurélia é que começa a ocorrer uma transformação
em sua personalidade.
D.
Emília: mãe de Aurélia, casa-se com Pedro por amor e deixa sua
família para viver esse amor.
Lemos:
Irmão mais velho de D. Emília que só aparece após saber que sua
sobrinha herdou uma valiosa herança. A pedido de Aurélia, arruma
seu casamento com Fernando.
Pedro
Camargo: filho bastardo de Lourenço Camargo, casa-se escondido
de seu pai com D. Emília e morre, deixando Aurélia órfã.
D.
Firmina: mora com Aurélia e a faz companhia.
Adelaide:
Ex-noiva de Fernando, é apaixonada por Torquato e por ele ser pobre,
só consegue se casar com a ajuda de Aurélia.
Torquarto
Ribeiro: moço pobre e apaixonado por Adelaide, foi muito amigo
de Aurélia quando ela era pobre.
Eduardo
Abreu: Apaixonado por Aurélia, paga as despesas do sepultamento
de D. Emília, mesmo estando viajando.
Lucíola
José
de Alencar
O
livro Lucíola,
de José de Alencar, é narrado através de Paulo, personagem que se
torna narrador para contar à Sr.ª G.M. o romance que viveu com uma
cortesã chamada Lúcia. Em 1855, Paulo chega ao Rio de Janeiro e vê
pela primeira vez Lúcia. Sem conhecer sua verdadeira vida,
apaixona-se à primeira vista, pois enxerga nela uma encantadora
menina. Essa impressão desfaz-se na Festa da Glória, onde Sá,
representante dos valores e preconceitos da sociedade, a apresenta
como uma mulher bonita e não como uma senhora. A partir de então,
Paulo começa a visitar Lúcia em sua casa.
Na
segunda visita, Paulo deixa de lado o tratamento cortês que até
então fizera a Lúcia, agarra-a e acontece o primeiro contato
físico. No dia seguinte, há uma festa na casa de Sá onde, além de
Paulo e Lúcia, são convidados também homens boêmios, como Sr.
Cunha, Rochinha, Sr. Couto e outras três prostitutas, entre elas
Nina. Nessa festa, a cortesã exibe-se nua diante de todos. Paulo num
primeiro momento teve uma repulsão por toda aquela cena. Porém,
mostra-se piedoso e compreensivo e os dois tem uma noite na mata.
Esse é o ponto que marca o início da transformação de Lúcia.
Para
Lúcia, Paulo é o caminho para chegar à salvação. Na tentativa de
se afastar da sociedade e deixar definitivamente a vida de cortesã
para trás, muda-se para uma casa mais simples no interior junto com
sua irmã mais nova, Ana. Nesse momento, não existe mais o amor
carnal entre Paulo e Lúcia. Há um amor espiritual – Lúcia chega
até a fingir que estava doente para não mais haver contato. É
nesse momento que conta o verdadeiro motivo que a levou à vida de
cortesã – seu primeiro cliente foi Couto, pois sua família estava
com febre amarela e sem recursos financeiros para o tratamento.
Revela também que seu verdadeiro nome é Maria da Glória. Lúcia
era uma antiga amiga dela que morreu e que tomou emprestado seu nome;
sua família achava que estava morta.
A
redenção de Lúcia culmina com a descoberta de sua gravidez e não
aceitação dela. Mesmo com o melhor parteiro afirmando que a criança
em seu ventre estaria viva, Lúcia acredita que seu corpo é sujo e
morto, e por isso não é capaz de gerar um filho. Morre, grávida.
Paulo, atendendo a um pedido seu, cuida de Ana até que ela se case.
PERSONAGENS
Lúcia:
cortesã rica que é conhecida por todos como bela e excêntrica.
Maria da Glória é seu nome de batismo. Ao decorrer do livro, busca
seu autoperdão através do amor que tem com Paulo. Apesar disso, não
consegue o perdão diante da sociedade do seu passado de cortesã.
Morre no final, grávida.
Paulo:
confuso entre o sentimento por Lúcia e os preconceitos que há na
sociedade. Ao longo do livro também sofre uma transformação; passa
de um homem boêmio a um homem de negócios. Escreve uma carta à
senhora G.M. contando sua história com Lúcia.
Sá:
amigo de infância de Paulo e ex-amante de Lúcia, ele quem
apresenta os dois. Milionário e solteiro, é o típico homem
burguês. Dá festas em sua casa e representa o preconceito da
sociedade burguesa diante da impossibilidade de haver perdão aos
atos de Lúcia.
Cunha:
amigo de Paulo e ex-amante de Lúcia. Ela o deixou no dia em que viu
sua mulher sozinha, triste.
Couto:
foi o primeiro cliente de Lúcia. Responsável por oferecer dinheiro
a ela, em troca de favores sexuais, quando Lúcia tinha apenas 14
anos.
Rochinha:
na roda de amigos boêmios, é o mais novo, com 17 anos, e o mais
inexperiente. Porém, tem uma vida irrigada por bebidas alcoólicas.
Laura:
uma das prostitutas que participaram da festa na casa de Sá.
Nina:
uma prostituta que se interessou por Paulo, com quem chegou até a
marcar um encontro, que não acontece.
Jesuína:
Quando Lúcia foi expulsa de casa por seus pais, foi morar com
Jesuína. Mais tarde, ela aparece como suposta enfermeira na casa de
Lúcia.
Ana:
Com 12 anos e irmã mais nova de Lúcia, vai morar com ela no
interior. Possui traços muitos semelhantes aos de Lúcia. Quando
Lúcia falece, fica sob responsabilidade de Paulo, e no final do
livro casa-se.
Iracema
José
de Alencar
O
romance possui como casal protagonista Iracema e Martim. O primeiro
encontro dos dois se dá quando Iracema está repousando em sua sesta
quando é assustada por um guerreiro estranho. Assustada, ela lança
uma flecha que atinge o guerreiro. Ele não tem nenhuma reação ao
ataque de Iracema e, ao ver que ele não possui nenhum tipo de má
intenção, parte para acudi-lo. Esse guerreiro chama-se Martim. Eles
vão juntos até a tribo de Iracema, chamada de tabajara. Martim é
recebido pelo Pajé e, como de costume, belas mulheres são levadas
até ele por Iracema. Ele recusa e decide ir embora da tribo. Entretanto, Iracema vai atrás dele, pedindo para ele voltar. Martim
aceita. Começa nesse momento uma troca de amor mútuo. À noite,
passeiam pelo bosque e ficam muito próximos. Um guerreiro tabajara
avista a proximidade dos dois. Ele tenta ferir Iracema e acaba
ferindo Martim.
Voltando
para a cabana, Martim avisa que irá partir e de presente leva
consigo uma rede dada por Iracema. Antes da partida, Iracema dá um
beijo em Martim. Porém, ela sabe que não pode se envolver com ele,
senão morrerá. Caubi acompanha Martim. Entretanto, Martim descobre
que inimigos de uma outra tribo estão atrás dele. Seu sentimento
fica dividido entre a loira dos castos afetos, que deixou em sua
tribo, e virgem morena dos ardentes amores. Acontece, então, a
primeira noite dos dois.
Martim
precisa partir. Iracema então leva o amado até o encontro do seu
amigo Poti. Ao chegar ao limite, Iracema não quer deixar Martim e
continua a caminhar com ele. Martim, apaixonado por Iracema e também
querendo ficar junto dela, decide fazer uma cabana próxima a uma
aldeia amiga para morarem; eles e o Poti. Os dois vivem felizes em
sua cabana. Até um dia que Iracema descobre que está grávida.
Martim precisa ir defender sua tribo junto com o Poti. O guerreiro
parte sem se despedir de sua amada. Após o retorno, Martim sente
falta de sua terra e fica com o pensamento distante de Iracema.
Iracema, grávida, sente a falta de seu esposo. Quando o bebê nasce,
vai procurar Martim, descobre que ele foi novamente para a guerra, e
volta para a cabana. Iracema recebe a visita de seu irmão Caubi, que
fica feliz em conhecer seu sobrinho. Porém, de tanta tristeza e
saudade que sente, Iracema não tem mais leite para amamentar seu
filho. Martim então chega e ela lhe entrega seu filho, chamado de
Moacir, e ,em seguida, vem a falecer.
PERSONAGENS
Martim:
representa a cultura colonizadora. Herói, participa de várias lutas
em defesa do seu povo. Fica dividido entre a sua cultura e a de
Iracema.Iracema:
caracterizada
no livro com a famosa frase “índia dos lábios de mel”, é
admirada pela sua beleza. Carrega consigo a castidade, já que é sua
obrigação da cultura diante dos deuses. Heroína rápida, como uma
flecha. Após sua união com Martim, torna-se
submissa
a ele.
Araquém:
pai
de Iracema. Pajé, recebe Martim em sua cabana e o protege.Poti:
amigo fiel de Martim, está sempre com ele nas lutas.
Caubi:
irmão de Iracema.
Moacir:
filho de Iracema e Martim.
O
guarani
José
de Alencar
Em
uma fazenda no interior do Rio de Janeiro, moram D. Antônio de Mariz
e sua família, formada pela esposa D. Lauriana, o filho D. Diogo e a
filha Cecília. A casa abriga ainda a mestiça Isabel (na verdade,
filha bastarda de D. Antônio), apaixonada pelo moço Álvaro, que,
no entanto, só tinha olhos para Cecília. O índio Peri, que salvou
certa vez Cecília de ser atingida por uma pedra, permaneceu no lugar
a pedido da moça, morando em uma cabana. Peri passa a se dedicar
inteiramente à satisfação de todas as vontades de Cecília, a quem
chama simplesmente de Ceci.
Acidentalmente,
D. Diogo mata uma índia aimoré. Como vingança, a família da moça
tenta matar Ceci, mas Peri intercepta a ação. A partir desse
momento, a possibilidade de ataque da tribo é cada vez maior. E este
não é o único perigo a rondar a casa de D. Antônio. Um dos
empregados, Loredano, está ali com o objetivo de se apoderar de uma
mina de prata que fica abaixo da casa. Pretendia incendiá-la e ainda
raptar Ceci. Quando ele e seus capangas combinam seu plano de ataque,
são ouvidos por Peri.
Contra
si, o índio tem o ódio de D. Lauriana, que considera sua presença
ali uma ameaça a todos. Consegue convencer o esposo a expulsá-lo,
mas quando Peri relata a iminência do ataque aimoré, como vingança
pela morte da índia, D. Lauriana permite que ele permaneça na casa.
O
incêndio planejado por Loredano é evitado por Peri e a traição é
finalmente descoberta. D. Antônio ordena que os traidores se
entreguem, mas Loredano organiza um levante. Os empregados fiéis a
D. Antônio preparam-se para proteger a casa. Ao mesmo tempo,
acontece o ataque indígena. Assim, a casa de Mariz sofre ameaças
externas e internas.
Álvaro
aceita o amor de Isabel e passa a corresponder a ele. Mas sua
preocupação se volta principalmente para o confronto com os
inimigos. Enquanto isso, Peri concebe um plano terrível para
derrotar os aimorés: coloca veneno na água que será consumida
pelos bandidos que tentam ocupar a casa; além disso, bebe do mesmo
veneno. Em seguida, avança sobre os aimorés e luta bravamente, para
mostrar que merece ser submetido ao ritual da antropofagia, reservado
apenas aos valentes. Quando comessem sua carne tomada pelo veneno,
morreriam.
Cecília
descobre o plano e pede a Álvaro que o salve. O moço chega no exato
momento do sacrifício e liberta Peri, afirmando que Cecília precisa
dele vivo, para salvá-la. A moça pede ao índio que viva e Peri
obedece, preparando para si um antídoto com ervas. Muitos dos
traidores morrem envenenados. Loredano é preso e submetido à morte
na fogueira.
Álvaro
sai para apanhar mantimentos, mas acaba sendo morto na empreitada.
Seu corpo é entregue a Isabel que, entrando com ele em um cômodo
hermeticamente fechado, espalha ervas aromáticas no local e morre
abraçada ao amado.
Como
última tentativa para salvar a filha, D. Antônio determina a Peri
que fuja com ela. Assim que o índio cumpre a tarefa, o proprietário
explode a casa, matando os inimigos que o atacam. Cecília se
desespera assistindo à cena.
Uma
tempestade atinge Peri e Cecília na canoa que ocupam. Em um
verdadeiro dilúvio, Peri e Ceci somem no horizonte.
PERSONAGENS
Peri: herói da história, é um índio corajoso e valente.
Ceci
(Cecília):
filha
do nobre D. Antônio Mariz, é uma moça linda, loira e de olhos
azuis. Meiga e suave, é a perfeita heroína do Romantismo.
D.
Antônio Mariz:
nobre
português que fixa-se no Rio de Janeiro.
Isabel:
filha
bastarda de D. Antônio com uma índia, é apresentada oficialmente
como sobrinha do nobre. É morena, sensual e de sorriso provocante.
Dona
Lauriana:
esposa
de D. Antônio Mariz. É uma senhora paulista egoísta e
orgulhosa.D.
Diogo Mariz:
filho
de D. Antônio Mariz. É um jovem que passa seu tempo em meio a
aventuras e caçadas.
Loredano:
ex-frei
Ângelo di Lucca, é um italiano ganancioso e traidor de sua
fé.Álvaro:
capataz
de D. Antônio Mariz, é apaixonado por Ceci, mas acaba se envolvendo
com Isabel.
Inocência
Viscconde
de Taunay
O
livro Inocência
(1872)
de Visconde
de Taunay é
um romance construído a partir de impressões e lembranças da
realidade natural e sócio-cultural do sertão mato-grossense. Além
disso, analisa os valores comportamentais do sertanejo, fazendo com
que esta obra, mesmo se tratando de uma história sentimental,
apresente um “toque” naturalista, um realismo descritivo e um tom
documental, fruto da experiência de Taunay como redator oficial do
Diário do Exército.
O
romance conta a história de amor impossível envolvendo Inocência,
filha de Pereira, um mineiro rude, pequeno proprietário da região e
Cirino, um aprendiz de farmacêutico que se autodenomina médico. O
relacionamento dos dois é inviável porque Inocência é prometida a
Manecão Doca, um rústico vaqueiro das redondezas e também porque o
pai vive a vigiar a filha, para garantir-lhe a integridade até o
casamento.
São
poucos os personagens que aparecem nesta história. De um lado, a
casa de Pereira, onde encontramos: ele, a filha, o anão (espécie de
guardião de Inocência), o noivo “ausente”, um filho – apenas
mencionado na história e mais dois personagens: Chiquinho, irmão de
Pereira que se corresponde por carta com a família e Antônio
Cesário, padrinho de Inocência.
Pereira
é o centro da família de tipo patriarcal rural, possuidora de certa
posse, personificando tipicamente, por assim dizer, os valores do
homem rústico em suas relações com a família e os moradores da
redondeza. O narrador chama-lhe “legítimo sertanejo, explorador
dos desertos”. Homem nômade, instalou-se num retiro “perdido”
no cerrado do sul do Mato Grosso.
A
situação da mulher, no entanto, é bem adversa. A única educação
que Inocência recebera foi com relação às tarefas domiciliares,
“treinada” à obediência passiva em relação ao pai e depois ao
marido escolhido por ele.
O
nome Inocência revela traços da personalidade da moça: delicada
beleza, aos olhos do apaixonado Cirino e do naturalista Meyer,
encantado com todas as belezas naturais; natural inocência frente ao
mundo civilizado, que vagamente imaginava em sua mente; inocência
diante do amor, despertado por Cirino, com ousadas e desatinadas
ardências, que em nada aparenta ser inocente.
Negociado
o casamento, Manecão passa a ser admitido na intimidade da família,
assumindo aos poucos os “encargos” de chefe familiar. É aí que
aparecem Cirino e Meyer, gerando o conflito.
Cirino,
auto-intitulado médico, instruiu-se no respeitado Colégio Caraça
de Ouro Preto. Prático em farmácia, possuía um famoso Dicionário
de Medicina Popular, um Chernoviz, referência ao autor do compêndio,
espécie de “livro de cabeceira” para orientá-lo no tratamento
das doenças populares do sertão.
Apesar
de sua instrução, que o liga ao mundo urbano, suas origens e sua
profissão mantêm-no ao mundo rural. Ele conhece e respeita os
valores desse universo, embora discorde da postura de Pereira com
relação à mulher.
Um
componente que orienta a narrativa é o acaso. Foi por acaso que
Pereira conhecera Cirino, na estrada, a caminho da vila de Sant’ana
do Parnaíba, que por coincidência menciona a doença da filha e
Cirino se prontifica a curá-la. Sem essas circunstâncias, não
seria possível introduzi-lo na família. Nasce, a partir do encontro
entre “médico e paciente”, a paixão mútua, impedida pelo
comprometimento com Manecão.
Meyer
também contribui para o desequilíbrio familiar por uma única
razão: ele desconhece as rígidas normas de comportamento familiar
do sertão, pois é um naturalista alemão, um homem urbano. Ele é
recebido por Pereira, de posse de uma carta de seu irmão mais velho,
recomendando-lhe que o recebesse como o próprio irmão. O conflito
começa quando Meyer, ingenuamente, passa a elogiar a beleza de
Inocência, em termos não adequados ao ambiente rústico do sertão.
Essa diferença entre os valores europeus e os do meio rural
brasileiro é decisiva para que Pereira sentisse ameaçada a
integridade moral de Inocência, passando a vigiá-lo constantemente,
abrindo caminho para o amor crescente de Cirino e Inocência.
A
resistência do casal se dá dentro dos limites e respeitando os
valores desse ambiente onde vivem, pois estão em cheque a autoridade
paterna e os direitos do noivo. Esses valores ainda resistem à nova
forma de encarar o casamento, presente nos meios urbanos.
O
desfecho do romance se encaminha para a eliminação do casal amoroso
e da desarmonia gerada por ele. Inocência morre, mas é
imortalizada, renascida, como nome de borboleta – Papillio
Innocentia – pelo naturalista Meyer, libertando-se do sertão e
integrada para o mundo da ciência.
Martinho dos Santos Pereira (Pereira) – Homem de mais ou menos 45 anos, gordo, bem disposto, cabelos brancos, rosto expressivo e franco. Pessoa honesta, hospitaleiro, severo e não trocava a sua palavra nem pela vida.
Inocência
– Cabelos longos e pretos, nariz fino, olhos matadores, beleza
deslumbrante e incomparável, faces mimosas, cílios sedosos, boca
pequena e queixo admiravelmente torneado. Enfim, uma jovem de beleza
deslumbrante e incomparável.Simples, humilde, meiga, carinhosa,
indefesa e eternamente apaixonada.
Tico
– O anão guardião de Inocência. Mudo, raquítico, esperto e
fez por um momento, o papel de fofoqueiro.
Maria
Conga – Escrava de Pereira que cuidava dos afazeres domésticos.
Escura, idosa e malvestida. Usava na cabeça um pano branco de
algodão.
Major
Martinho de Melo Taques – Homem que merecia influência na vila
de Santana do Parnaíba: Juiz de paz e servia de juiz municipal.
Participou da Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. Era
comerciante e gostava de contar casos, ou seja, "prosear".
Manecão
– alto, forte, pançudo e usava bigode. Enfim, vaqueiro bruto
do sertão. Pessoa fria que matava, se fosse preciso, em defesa de
sua honra.
Antônio
Cesário – Padrinho de Inocência. Homem respeitado, de
palavra, honesto e justo. Fazendeiro do sertão.
Guilherme
Tembel Meyer – alto, rosto redondo, juvenil, olhos claros,
nariz pequeno e arrebitado, barbas compridas, escorrido bigode e
cabelos muito louros. Pessoa de boa ídolo, esperto em sua função e
simples ao pronunciar as sua palavras. Admirador da natureza e da
beleza de Inocência.
José
Pinho (Juque) – Ajudante de Meyer. Era muito intrometido em
conversas alheias. Pessoa boa e de confiança de seu patrão.
Cirino
Ferreira Campos – Tinha mais ou menos 25 anos, presença
agradável, olhos negros e bem rasgados, barbas e cabelos cortados
quase à escovinha. Era tão inteligente quanto decidido. "Doutor"
Cirino era caridoso, bom doava a própria vida em defesa do amor.
A Escrava Isaura
Bernardo
Guimarães
A
história do livro A
Escrava Isaura se
passa inicialmente em uma fazenda, em Campos dos Goytacazes (RJ).
Isaura é uma escrava branca, muito bonita e bem educada, que foi
criada como filha na família em que serve. Durante muito tempo, foi
protegida da matriarca, mas após a morte desta, Isaura tornou-se
propriedade de Leôncio, um jovem recém-casado com Malvina. Além de
Leôncio, a beleza da jovem escrava desperta paixão em vários
personagens, como o jardineiro Belchior, o feitor da fazenda e o
irmão de Malvina.
Isaura
se recusa a ceder às tentativas de Leôncio, que, para forçá-la, a
manda para a senzala trabalhar com as outras escravas. A escrava
suporta o seu destino e não cede a Leôncio, afirmando que ele não
era proprietário de seu coração.
O
pai de Isaura, um homem livre chamado Miguel, reúne a quantia pedida
pelo pai de Leôncio para libertá-lo, mas o jovem sem caráter
descumpre a promessa do pai. Inconformada, a mulher de Leôncio,
Malvina, volta para a casa de seus pais, deixando o caminho livre
para que o jovem atormentasse ainda mais Isaura.
Miguel,
o pai de Isaura, consegue tirar a filha da fazenda e foge com ela
para Recife (PE). Naquela cidade, Isaura usa o nome de Elvira e vive
em uma pequena casa com o seu pai.
Em
Recife, Isaura conhece Álvaro, por quem se apaixona e é
correspondida. Eles vão juntos a um baile e, na ocasião, ela é
reconhecida e desmascarada. Álvaro fica surpreso, mas defende a
amada e resolve impedir que Leôncio a leve de volta.
Leôncio
leva Isaura de volta à fazenda, mas Álvaro descobre a falência do
jovem sem caráter e compra a dívida dos seus credores, tornando-se
proprietário de todos os seus bens, incluindo os seus escravos.
Ao
se ver derrotado e na miséria, Leôncio suicida-se e a história tem
um desfecho feliz.
PERSONAGENS
Isaura:
escrava de pele branca, é filha de um português com uma escrava
negra. Foi criada como filha pela família que a possuía, porém,
com a morte da matriarca que era sua protetora fica a mercê das
crueldades de seu filho, Leôncio.
Leôncio:
com a morte dos pais se torna o dono de Isaura. É casado, porém
apaixonado pela escrava. Homem sem escrúpulos fará todo o possível
para possuí-la
Álvaro:
homem rico, se apaixona por Isaura e fica extremamente chocado com a
maneira como ela é tratada. Faz todo o possível para libertá-la e
pretende se casar com ela, mesmo ciente do escândalo que isso
representa.
Miguel:
Pai de Isaura, homem simples e trabalhador.
Belchior:
jardineiro da casa, também é apaixonado por Isaura. Homem
deformado,pretende se casar com a escrava.
Malvina:
Esposa de Leôncio, simpatizava com Isaura até que percebeu as reais
intenções de seu marido em relação à moça.
Rosa:
escrava bonita, porém invejosa da atenção que todos dão a Isaura.
O
Seminarista
Bernardo
Guimarães
O
Seminarista é obra do escritor mineiro Bernardo Guimarães, lançada
no ano de 1872. Bernardo Guimarães não era apenas um excelente
escritor, mas era também um homem antenado, que acompanhava
fortemente os assuntos que rodeavam sua cidade e seu país. Assim,
quando houve a forte campanha jornalística no Rio de Janeiro contra
o episcopado – situação que ficou marcada na história do Brasil
como “Questão Religiosa” – Guimarães havia compreendido que o
assunto estava em alta, e que seria interessante abordá-lo. O
romance lhe rendeu grande popularidade, foi bem aceito pela crítica
e se tornou um clássico da Literatura Brasileira.
No
interior de Minas Gerais, duas crianças de famílias diferentes eram
criadas juntas. Tratava-se de Eugênio, filho de um casal de
fazendeiros, e de Margarida, filha de uma funcionária da fazenda dos
pais de Eugênio. Os dois passaram a infância juntos, e viveram uma
bela amizade, cheia de companheirismo e cumplicidade.
Um
acompanhou a evolução do outro, não apenas como pessoa, mas como
homem e mulher. Conforme foram crescendo, começaram a reparar um no
outro com olhos diferentes, não mais de amigos, mas de pessoas que
se amavam. Apaixonados, não conseguiam esconder o quanto ansiavam
estar juntos, e seus pais rapidamente perceberam o que estava
acontecendo.
Com
medo de que o rapaz, herdeiro da fazenda e dos bens da família, se
envolvesse com a moça de classe inferior, seus pais decidiram lhe
enviar para o seminário e obrigá-lo a servir a vocação cristã.
Assim foi feito, mas mesmo longe Eugênio foi incapaz de esquecer
Margarida, e vice-versa.
Os
anos se passaram e quando já estava mais maduro, Eugênio decidiu
que iria embora do seminário para viver sua vida da forma que
quisesse, e certamente procuraria por Margarida. Cientes do que
estava por trás da motivação do filho, os pais de Eugênio
procuraram os padres do seminário e lhes fizeram um pedido imoral:
juntos, mentiriam para Eugênio, dizendo que Margarida havia se
casado com outro homem e seguira sua vida. Fizeram conforme o
combinado e, por tamanha desilusão, Eugênio não apenas desistiu de
sair do seminário como decidiu seguir definitivamente a carreira de
padre.
O
tempo passou, e Eugênio – já padre – foi visitar a antiga vila
onde morava, quando é chamado para socorrer uma moça muito doente.
Bondoso e prestativo, imediatamente foi em socorro da moça, sem
saber que se tratava de seu grande amor, Margarida. Ela então, em
muito sofrimento, lhe conta que depois que Eugênio foi para o
seminário, os fazendeiros a expulsaram com sua mãe da fazenda e,
agora que sua mãe havia falecido, Margarida vivia em grandes
necessidades. Por amor a Eugênio, nunca fora capaz de olhar para
outro homem, muito menos de casar-se, e desde então vivia sozinha em
sua carência emocional e física.
Totalmente
perplexo com o que ouvira, e vendo a mulher de sua vida em sua
frente, Eugênio deixara de se importar com tudo e se entrega ao
amor. Ambos passam uma noite de paixão, o que causa grande remorso
no rapaz após o ato.
No
dia seguinte, ainda sentindo-se pesaroso por seu pecado, Eugênio se
apronta para que pudesse celebrar sua primeira missa. Quando recebe
um chamado: em seu papel de padre, deveria encomendar um corpo que
havia acabado de chegar à igreja. Ele se dirige ao corpo e não pode
acreditar no que está diante de seus olhos: Margarida, seu grande
amor, morta pela doença que a estava afligindo. Em choque, o rapaz
havia perdido a mulher que sempre desejou, e o favor espiritual como
padre pelo pecado que havia cometido. Sentia-se sem rumo, sem norte,
como se nada mais em sua vida fizesse sentido – e ele sequer tinha
esperança de um dia poder endireitar as coisas e viver feliz.
Eugênio enlouquece ainda na igreja, e fica notável para todos que o
padre tinha um envolvimento íntimo com a pessoa ali morta. Assim
termina o triste romance de Eugênio e Margarida, pois após o
falecimento da moça, o rapaz jamais retomou o juízo.
PERSONAGENS
Eugênio:
Protagonista
da história. “O rapaz era alvo, de cabelos castanhos, de olhar
meigo e plácido e em sua fisionomia como em todo o seu ser
transluziam indícios de uma índole pacata, doce e branda” (p.21).
Fora mandado pelos seus pais ao seminário.
Margarida: Afilhada dos pais de Eugênio, não conheceu seu pai, que morreu em batalha. Vive com a mãe Umbelina nas terras de Sr. Antunes. Desde criança demonstra uma paixão por Eugênio.
Margarida: Afilhada dos pais de Eugênio, não conheceu seu pai, que morreu em batalha. Vive com a mãe Umbelina nas terras de Sr. Antunes. Desde criança demonstra uma paixão por Eugênio.
Sr.
Francisco Antunes: Pai
de Eugênio, revela-se um homem capaz de mentir e enganar o próprio
filho, para defender o status e os interesses familiares.
Sra.
Antunes:
Mulher boa e carinhosa, era a mãe de Eugênio. Muito religiosa,
concordava com as decisões do marido.
Dona
Umbelina:
Mãe de Margarida, nutria grande carinho por Eugênio, vive uma vida
simples, vendendo o que produz para viajantes.
Luciano:
Rapaz apaixonado por Margarida e rejeitado por ela. Aparentava ser
rico e bem nascido.
Memórias de um Sargento de Milícias
Manuel
Antônio de Almeida
Por
ser originariamente um folhetim, publicado semanalmente, o enredo
necessitava prender a atenção do leitor, com capítulos curtos e
até certo ponto independentes, em geral contendo um episódio
completo. A trama, por isso, é complexa, formada de histórias que
se sucedem e nem sempre se relacionam por causa e efeito.
“Filho
de uma pisadela e de um beliscão” (referência à maneira como
seus pais flertaram, ao se conhecer no navio que os conduz de
Portugal ao Brasil), o pequeno Leonardo é uma criança intratável,
que parece prever as dificuldades que irá enfrentar. E não são
poucas: abandonado pela mãe, que foge para Portugal com um capitão
de navio, é igualmente abandonado pelo pai, mas encontra no padrinho
seu protetor. Esse é dono de uma barbearia e tem guardada boa soma
em dinheiro.
Enquanto o pequeno
Leonardo apronta as suas diabruras pela vizinhança, seu pai,
Leonardo Pataca, se envolve amorosamente com a Cigana, mas essa o
abandona logo. Ele, então, recorre à feitiçaria (proibida naquela
época) para tentar trazê-la de volta. Porém, no auge da cerimônia
o major Vidigal e seus homens invadem a casa do feiticeiro, açoitam
os praticantes e levam Leonardo Pataca preso. Ele pede socorro à
Comadre, que pede ajuda a um Tenente-Coronel que se considerava em
dívida com a família de Pataca, e ele logo é solto.
Já o Compadre (ou
padrinho) que cuidava do menino Leonardo havia aprendido o ofício de
barbeiro com o homem que o criara. Foi para a África como médico em
um navio negreiro e, durante a volta, o capitão em seu leito de
morte lhe confiou um baú de dinheiro para que o entregasse a sua
filha. Ele, porém, ficou com o dinheiro. Após isso aparenta ter se
tornado um homem de bem e cria o Leonardo como se fosse um filho,
sonhando em torna-lo padre. O menino, porém, causa transtornos por
qualquer lugar onde passa e, após levar uma enorme bronca do padre
da cidade, jura vingança.
O padre era um homem que
aparentava ser santo, mas na realidade era um lascivo e fora ele quem
roubara a Cigana de Leonardo Pataca. Como o padre passava boa parte
de seu tempo na casa dela, um dia o menino Leonardo resolve armar uma
emboscada para desmascará-lo. Ele vai até a casa da Cigana para
informar o horário de uma festa, mas ele mente o horário para que o
padre chegue atrasado. Quando por fim chegou à igreja, o padre
repreende ao menino perguntando-lhe qual era a hora certa do sermão.
Leonardo, então, diz que falou o horário correto e que a Cigana
estava de prova, pois ouviu tudo. Sem saber o que fazer frente ao
choque de todos, ele dispensa o menino.
Leonardo Pataca, ao
saber que havia sido trocado pelo padre, resolve tentar conquistar
Cigana novamente. Ela, porém, não dá bola para ele. Para se
vingar, ele contrata um amigo para causar uma confusão em uma festa
que ela iria promover em sua casa. No momento da bagunça Vidigal,
que já havia sido avisado por Pataca, aparece e prende o padre em
flagrante, somente de cueca, meia, sapato e gorrinho na cabeça. Com
isso, Leonardo Pataca consegue ficar mais um tempo com a Cigana.
O Compadre passou a
frequentar a casa de D. Maria, uma rica mulher com gosto pelo
Direito, sempre acompanhado do afilhado Leonardo. Com o tempo o
menino foi sossegando, até que chegou a idade dos amores. Luisinha,
uma menina descrita como feia e que era filha do recém-falecido
irmão de D. Maria, foi morar com a tia. No dia da festa do Espírito
Santo foram todos ver a queima de fogos. A menina se divertiu,
abraçou Leonardo pelas costas e no final os dois voltaram de mãos
dadas. Após isso, porém, Luisinha voltou a ficar tímida.
Um dia entra em cena
José Manuel, homem mais velho que fica interessado em Lusinha por
conta da herança que ela havia recebido do pai e que iria receber de
D. Maria, já que ela era a única herdeira. O Compadre, percebendo
os interesses de José Manuel, se junta à Comadre para tentar
espantar o interesseiro. Enquanto isso, Leonardo tenta conquistar
Luisinha, mas ele acaba saindo muito sem jeito e acaba espantando
ela. Porém, fica claro que Luisinha também gosta de Leonardo. Para
tentar afastar José Miguel, a Comadre inventa uma série de
mentiras, que logo são descobertas. Então, D. Maria, ao invés de
expulsar José, acaba se afastando da Comadre, agora desacreditada.
Enquanto isso, novamente
traído pela Cigana, Leonardo Pataca junta-se com a filha da Comadre
e têm um filho juntos. Pouco depois o Comadre morre e Leonardo vai
morar junto com o pai. Porém, ele e sua madrasta não conseguem se
entender e, após muitas brigas, ele foge de casa. Afastado de todos,
Leonardo conhece um grupo que estava fazendo piquenique e reconhece
dentre eles um amigo seu de infância.
Leonardo passa a morar
junto com eles na Rua da Vala. Lá vivem duas quarentonas viúvas e
seus seis filhos, sendo que uma tinha três rapazes e outra três
moças. Vidinha era a mais bonita e era disputada por dois primos.
Porém, ela acaba se enamorando com Leonardo e os dois passam o dia
namorando dentro de casa, o que desperta ciúmes dos outros rapazes.
Esses, por sua vez, vão falar para Vidigal que Leonardo está
vivendo como intruso na casa e tirando proveito das mulheres. Num
dia, Vidigal aparece e leva Leonardo preso, mas esse consegue fugir.
A Comadre arruma um
emprego para Leonardo na ucharia real, mas ele se envolve com a
esposa do patrão e acaba despedido. Vidinha vai até a casa de Toma
Largura, ex-patrão de Leonardo, para brigar com ele e com sua
esposa. Enquanto isso, Vidigal consegue prender Leonardo. Acontece
que Toma Largura ficou encantado com Vidinha e começa a cerca-la de
todas as formas. A moça, encarando a ausência de Leonardo como
consequência das últimas brigas, resolve ceder à insistência de
Toma Largura.
Obrigado pela polícia,
Leonardo começa a servir ao exército. Depois de um tempo, Vidigal o
coloca no batalhão de granadeiros para combater os malandros do Rio.
Porém, ao contrário do que ele pensava, Leonardo continua
aprontando dentro do próprio batalhão de polícia. Na última
delas, Vidigal planejava prender um homem que fazia imitações suas
para animar festas. Mas Leonardo acaba se divertindo com as graças
do imitador e o avisa das intenções de Vidigal. Quando o major
descobre a traição de Leonardo, prende o moço sob juramento de
algumas chibatadas.
A Comadre fica sabendo
disso e vai pedir ajuda à D. Maria e à Maria Regalada, antiga
amante de Vidigal. Elas vão até a casa do major, que as recebe com
roupa civil da cintura para baixo e farda da cintura para cima. Não
conseguindo resistir aos pedidos das três mulheres, Vidigal perdoa
Leonardo e ainda promete promove-lo à sargento do exército.
Enquanto
tudo isso acontecia, Luisinha estava casada com José Manuel, que a
tratava mal e só se preocupava com o dinheiro da moça. D. Maria
resolve preparar uma ação judicial contra o homem, mas ele acaba
morrendo vítima de um ataque apopléctico (parecido com um derrame).
Após o enterro de José Manuel, preparam tudo para o casamento de
Luisinha, agora uma mulher feita e bonita, com Leonardo, bonito e
muito elegante em sua farda de sargento do exército. Algum tempo
depois, D. Maria e Leonardo Pataca também morrem e, junto com as
outras heranças que já tinham, receberam mais duas.
PERSONAGENS
Leonardo: protagonista que garante unidade à narrativa. O sargento de milícias a que se refere o título da obra é Leonardo, embora o personagem obtenha esse cargo somente nas últimas páginas do livro.
Leonardo: protagonista que garante unidade à narrativa. O sargento de milícias a que se refere o título da obra é Leonardo, embora o personagem obtenha esse cargo somente nas últimas páginas do livro.
Leonardo
Pataca: pai
de Leonardo, um meirinho (oficial de Justiça) que fora vendedor de
roupas em Lisboa e, durante sua viagem ao Brasil, conhece Maria das
Hortaliças, o que resultará no nascimento de Leonardo.
Maria
das Hortaliças:
mãe
de Leonardo, uma saloia (camponesa) muito namoradeira, que abandona o
filho para ficar com outro homem.
O
Compadre ou
O
Padrinho:
é
dono de uma barbearia e toma a guarda de Leonardo após os pais
abandonarem a criança. Torna-se um segundo pai para ele.
A
Comadre ou A Madrinha:mulher
gorda e bonachona, apresentada como ingênua, frequentadora assídua
de missas e festas religiosas.
Major
Vidigal:
homem
alto, não muito gordo, com ares de moleirão. Apesar do aspecto
pachorrento, era quem impunha a lei de modo enérgico e centralizado.
Dona
Maria: mulher
idosa e muito gorda, não era bonita, mas tinha aspecto bem-cuidado.
Era rica e devotada aos pobres. Tinha, contudo, o vício das demandas
(disputas judiciais).
Luisinha:
sobrinha
de dona Maria. Seu aspecto, inicialmente sem graça, se transforma
gradualmente, até se tornar uma rapariga encantadora.
Vidinha:mulata
de 18 a 20 anos, muito bonita, que atrai as atenções de Leonardo.
ANÁLISE DA OBRA
A
maior dificuldade na análise de obra de Manuel Antônio de Almeida é
encontrar uma caracterização satisfatória para um romance que
destoa tanto do que era produzido na época. O tom de comicidade da
obra também não ajuda a localizar seu gênero.
O
critico literário Alfredo Bosi chama as Memórias
de
"romance
picaresco",
de "crônica
de costumes", e
ainda se refere ao "realismo
de Manuel Antônio de Almeida". São
três caracterizações diferentes que podem ser encontradas no
romance de Manuel Antônio de Almeida.
O
romance picaresco vem de uma tradição marginal, classicista e
renascentista de romances focados em personagens pícaros.
Anti-heróis que ao vento das desventuras tentam tirar vantagem de
todas as situações, usando meios antiéticos para tal feito.
A
crônica de costume é o retrato dos costumes de uma sociedade que se
aproxima de um tom jornalístico.O realismo é a corrente literária
que busca explicar uma sociedade por meio da literatura, investindo
os personagens de uma carga psicológica e retratando as suas
relações.
Apesar
de encontramos no romance diversos elementos das caracterizações
anteriores, não é possível definir Memórias
de um Sargento de Milícias usando
apenas uma delas. Logo a problemática continua.
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